terça-feira, 16 de novembro de 2010

Cronicas de uma vida sem vida

Uma vida ótima com vários amigos pode ser estragada por apenas um fator. O amor.
Era uma vida comum, andava pelos corredores, cumprimentava aos que conhecia, entrava em sala e viajava pelo rosto dela.
Varias vezes havia sido repreendido. Mais nada mudava. O coração é um órgão imutável quando se trata de um grande amor...
E este grande amor me apunhalou pelas costas e com um extremo golpe de destreza me fez cair. Cai pela dor de ser substituído por alguém que nem se quer conhecia.
O cotidiano escolar passou a ser cada vez mais maçante.
Já não ia bem mesmo, não faria diferença parar... mas não. Não poderia me privar de meu futuro por causa de uma desilusão como aquela. Passei a estudar. Mesmo que as vezes parecesse inútil, eu estudava.
Pensei que deveria me afundar em algo para substituir aquele vazio que se encontrava em mim. Não. Nada parecia correto de se fazer. Acho que preferia sofrer do que me corromper, sempre tive princípios, não os abandonaria tão facilmente.
Mas ainda era doloroso olhar seu rosto e pensar que ela não pensava mais em mim.
Segui em frente.
Alguns anos depois consegui me formar em uma boa faculdade de medicina de minha cidade. Pronto! Agora seria respeitado! Seria idolatrado pelos outros da família que não foram tão bem sucedidos e esqueceria finalmente o ocorrido alguns anos atrás.
Mas não sucedeu bem assim...
Como prometido, meu avô me deu o carro de minha escolha. Eu andava por ai sem rumo quando não estava em plantão. Na mesa de minha casa apenas se viam minhas multas de transito, as quais já nem ligava mais.
Se me tirassem os momentos de descarrego que eu tinha com meu carro na estrada não saberia o que fazer.
Até que, em um dia chuvoso, a vejo saindo do mesmo hospital em que atendia. Ainda meio hesitante fui falar com ela.
Ela me relembrou tudo que havíamos passado quando estávamos no ensino médio. Foi quando à perguntei o por que ela falava aquilo comigo, ai veio minha surpresa quando ela disse que não estava mais com ninguém. Nessa hora volto aos meus tempos de escola e sinto novamente aquele arrepio e aquele frio na barriga. Após me dizer que estava sozinha, sorrateiramente se levantou, eu levantei junto a ela, e como outro golpe me beijou.
Aquele beijo por mim poderia ter durado o tempo que fosse. Não me cansaria.
Mas eu tinha que trabalhar na manhã seguinte, ela também, nos despedimos e então, e lhe dei meu novo numero de celular anotado em um cartão que sempre carregava em meu bolso.
Após a despedida, ela foi em direção ao seu carro e eu fui em direção ao meu. Estavam em lados opostos.
Eu a aguardei sair. Fiquei apenas observando ela sair. Desejando a ter sempre ao meu lado, justamente como a desejava no colegial.
Liguei meu carro, e num impulso de felicidade sai para a estrada.
Mas aquele dia estava chuvoso.
Perigoso de se dirigir.
Mas eu estava distraído com o que acabara de acontecer. Nem notei o perigo que corria.
Um pequeno buraco na estrada foi o suficiente. Capotei, e acabei caído no rio ao lado da estrada
A batida fora fatal para todo meu corpo. Mas meu coração continuava a bater. Bateria para sempre. Bateria para sempre.
Sempre com um desejo de não ter sido tão inconseqüente.
Meu amor se afundou junto de mim no rio.
Mas mesmo sob as águas ainda respirava. Ainda desejava. O desejo de viver tudo de novo dez de o inicio até o fim ao lado dela.
Tudo se afogou.
Menos meu amor por ela.
Ele virou uma estrela que a persegue toda noite e que a faz lembrar de mim como seu único verdadeiro amor correspondido.

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